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Bolsonaro tem ‘decreto pronto’ para comércio reabrir

Redação O Garibaldense 03/04/2020
Presidente afirmou que a medida ainda não foi assinada porque teme um pedido de impeachment / Divulgação

O presidente Jair Bolsonaro afirmou que tem um “decreto pronto” que determina a reabertura dos comércios e atividades que foram consideradas não essenciais pelos governadores e prefeitos. Fez um apelo para que os mandatários estaduais e municipais “revejam” as medidas restritivas adotadas para combater a propagação da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus.

“Eu tenho um decreto pronto na minha frente pra ser assinado, se preciso for, considerando atividade essencial toda aquela exercida pelo homem ou mulher através da qual seja indispensável para ele levar o pão pra casa todo dia”, disse em entrevista aos jornalistas Augusto Nunes, Vitor Brown e José Maria Trindade, do programa Os Pingos nos Is, da Jovem Pan.

O presidente voltou a fazer críticas aos governadores que determinaram o isolamento total nos Estados, citando o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB). Segundo o presidente, o país não vive uma “ditadura”. “Comecem a abrir [os comércios]. Não querem abrir de imediato, vão abrindo devagar”, pediu.

No início da entrevista, o presidente afirmou que a medida ainda não foi assinada porque teme um pedido de impeachment. Disse ainda que vai esperar “o povo pedir mais”.

“Sei que tem ameaça de tudo quanto é lugar contra mim se eu vier a assinar essa medida provisória, até de sanções de modo a buscar afastamento, sem qualquer amparo legal para isso. Agora eu apelo aos senhores governadores, não são todos, aos senhores prefeitos, não são todos, apenas uma minoria, que revejam as suas posições”, disse.

“Um presidente pode muito, mas não pode tudo. Nós temos gente ali, gente poderosa em Brasília que espera um tropeção meu. Eu estou esperando o povo pedir mais porque o que eu tenho de base de apoio são alguns parlamentares, tudo bem, não é maioria, mas eu tenho o povo do nosso lado. Eu só posso tomar certas decisões com o povo estando comigo”, afirmou.

Para Bolsonaro, os governadores querem que ele tome essa decisão. No entanto, disse que tem a preocupação de cada morte que for registrada no país ficar sob sua responsabilidade.

“O que alguns governadores mais querem é que eu tome uma decisão para trazer o problema para o meu colo. E, dali pra frente, qualquer morte que acontecer, começar a me culpar e massificar. É essa que é a minha preocupação no momento”, disse.

Apesar da fala, depois, Bolsonaro foi enfático: “Na semana que vem, com toda certeza, se não começar a volta, pelo menos gradativa, dos empregos, eu vou ter que tomar uma decisão”.

“Eu acho que até semana que vem o pessoal que está empregado, que vai receber, geralmente recebe por volta do dia 5, não vai receber. O servidor público tem que entender, se não tiver arrecadação não vai receber também. O Rio de Janeiro, por exemplo, não tem dinheiro para pagar em maio”, disse.

Na entrevista, Bolsonaro também negou que possa escalar as Forças Armadas para abrir de maneira forçada os estabelecimentos comerciais e disse que não cogita renunciar ao mandato. “Os militares não irão pra rua pra abrir os comércios, não existe”, disse, ao comentar pedido de mulher na frente do Palácio da Alvorada.

“Da minha parte, a palavra renúncia não existe. Eu fico feliz até por estar na frente [do combate] a um problema grande como esse. Fico pensando como estaria o outro que ficou em segundo lugar [Fernando Haddad (PT)] no meu lugar aqui”, disse.

Ao fim da entrevista, considerando o país com a maioria da população cristã (católica ou evangélica) o presidente pediu para que todos façam um dia de “jejum” para que o Brasil possa superar a crise da pandemia.

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