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Amo política

Estamos em mais um período eleitoral em todas as cidades do nosso Brasil. Penso que é uma nova chance. Eu sei, não é fácil acreditar. Infelizmente, penso que os representantes eleitos são a versão reduzida de uma sociedade problemática. Poucos princípios e poucos bons valores, é verdade, mas podemos melhorar.
Parece que a dinâmica eleitoral se alterou nos últimos anos. Quando completei 16 anos, fazer o título eleitoral era a primeira sensação de autonomia sobre minhas escolhas e vi meus avós votando até que lhes foi possível.
Hoje minha percepção é que os que não são obrigados a votar, deixam esse dia de lado. O TSE implementou um programa chamado Jovem Eleitor após o impeachment do Presidente Collor justamente para impulsionar aqueles jovens (considerando que na época houve queda na busca de inscrições) a participar da tão sonhada e suada democracia que tínhamos conquistado. Os dados do TSE mostram que em 2004 as inscrições alcançaram 3% dos eleitores e esse foi o último ano que os jovens alcançaram esse patamar, depois disso, só reduziram as inscrições.
É triste, porque denota a decepção que vivemos há muitos anos na política. Talvez, sempre tenhamos sentido isso, mas com as redes sociais compartilhamos esse sentimento e em vez de inspirar os jovens, os afastamos cada vez mais dessa discussão.
Sempre gostei de política. Lembro da casa da minha avó materna, quando os irmãos do meu avô passavam férias ou finais de semana por lá. Ela ficava maluca de tanto tentar agradar seus cunhados e sobrinhos com muita comida boa. Mas o que sempre me fascinou foram as discussões ao redor daquela mesa grande. Tio Lourenço, advogado experiente em Santa Maria, filiado ao PDS, travava discussões e me deixava sempre inebriada com aqueles pensamentos, normalmente divergentes dos outros da mesa, mesmo que eu pouco entendesse o que aquilo significava. Descobri há pouco tempo que meu avô paterno era fervoroso mdbista. Que pena, não tive tempo de ouvi-lo falar sobre isso.
Esse é mais um dos assuntos que precisam ser falados em casa. Temos uma nova chance para assim fazê-lo. Ou imaginamos que nossos jovens, “o futuro da nação”, vão descobrir sozinhos o que é certo/errado, bom/ruim pra cidade?
E tu, caro leitor: vais vender teu voto por uma carga de areia, por uma passagem de ônibus, por um rancho de mercado? Isso é o que queres que o “o futuro da nação” aprenda?
Vais sacudir bandeira pra garantir teu emprego ou estás em campanha porque acredita na ideologia do teu partido? Aliás, conheces a ideologia de cada partido? Sabes o que é Poder Executivo e Poder Legislativo? Sabes o que faz um prefeito, um vereador?
Excelente momento para aprender.

Thiago H. Burmeister

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