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Além do quadro negro

A escola são as pessoas. São elas que animam e constroem o ambiente de aprendizagem. É por elas que se mobilizam encontros em busca de respostas às necessidades de quem ela acolhe. E tantos são os anseios e expectativas!

A escola é com certeza o espaço onde não cabe o limite. Ela a todos recebe com abraços de descoberta e ensina para além do que o olhar alcança. Reflexões que me levam a pensar que é impossível ser um educador se não se puder estar por inteiro, se não houver entrega, se o olhar não tiver o tom conciliador da mãe, se não tiver uma fala de quem as palavras arrancam dores e restituem a alegria, como o fazem os amigos.

Sensível é dizer que ser professor é escutar além do que é dito, é enxergar para além do que é palpável e ensinar para além do que é mensurável.
É tênue o processo de criação e recriação do conhecimento. Consiste, no dizer de Cortella, “não apenas em falar sobre coisas prazerosas, mas principalmente, em falar prazerosamente sobre as coisas”.

É certo então afirmar que o professor é um profissional do sentido: deixa de ser um lecionador passando a ser o profissional que escolhe a informação dá/constrói o sentido ao conhecimento. Como o faz? Alimentando-se da energia que habita nos corredores da escola e se fortalecendo com o crescimento e aprendizagem do outro.

É da essência da escola desacomodar num movimento que leva a mudanças que excedem a dimensão do quadro negro. Na escola os sonhos são tocados por palavras que produzem o tipo de encantamento que torna as coisas reais. Ensinar é como diz Rubem Alves, um exercício de imortalidade: “De alguma forma continuamos a viver naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia da nossa palavra”.

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Rosana Marina

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