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A gruta de Belém

É Natal. A data repleta de reflexões e sentimentos bondosos. Quando podemos avaliar nossas vidas de acordo com a história há muito tempo ocorrida e que nos é lembrada desse dia distinto. Um conhecido teólogo católico chamado Johann Baptist Metz em seu livro intitulado Mística de olhos abertos, afirma que “o Cristo deve ser pensado de forma a nunca ser apenas pensado”. O menino que lembramos nesse Natal deve nos inspirar a realizar as ações que, ele próprio realizou.

As reflexões que fazemos devem ser ponto de partida para mudanças concretas em nossas vidas. Pensar coisas bonitas não nos basta. É preciso fazer o bem que desejamos.
Na história de Belém, muitos acontecimentos nos desafiam a pensar. Proponho olharmos para a estrada e para a gruta.
Pela mesma estrada pela qual José e Maria passaram a caminho de Belém, passam hoje muitas pessoas, que em saída, enfrentam suas dificuldades e seus desafios. Aquela, e a nossa estrada são estradas de apreensão, medo e preocupações.

Mas também é a estrada de esperança, onde podemos trilhar confiantes na presença e atuação de Deus na nossa história.
Como o que acontecera com a família de Nazaré, ainda hoje são muitos os que trilham por um caminho difícil sem encontrar um lugar para repousar sua dor e aflição. As hospedarias estão cheias, nossas casas não oferecem acolhida, as agendas estão saturadas de compromissos, não temos tempo e nem interesse nas necessidades dos outros seres humanos. Mais fácil é fecharmos nosso coração, não percebendo nossa responsabilidade na construção de uma vida de justiça e dignidade.
Mas ainda brilha um esperança, uma chama que nos impulsiona a olharmos para o céu com a fé confiante em Deus, e a olharmos para nossa história com a força necessária para que a vontade de Deus se realize aqui na terra.
Há uma gruta acolhedora, que descansa a angústia, a dor e a aflição. Uma gruta que não julga pelas aparências, não escolhe a quem dar o amor, não se fecha para o que desconhece. Que a nossa vida possa se transformar pela experiência do natal. Que nosso coração se torne a gruta que acolhe, abraça, perdoa, que ainda acredita e faz acreditar na vida.
Que sejamos nós a gruta que falta na caminhada de nossos irmãos e irmãs. Que sejamos a possibilidade impossível, que sejamos os instrumentos de Deus, pelos quais o seu milagre pode acontecer.

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Giovanni Mattiello

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